Mostrando postagens com marcador novos. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador novos. Mostrar todas as postagens

quinta-feira, 6 de março de 2014

Million dollar baby

Para ouvir:


Bom dia comunidade!E aí?Como passaram o Carnaval?Eu, como péssima foliã que sou,arrastei meu bloco pro cinema e gostei do que vi,vou começar do fim,falando do filme preto e branco que vi nessa quarta feira de cinzas.

Tão difícil,tão fácil falar de Nebraska. A dificuldade vem da sensibilidade e do minimalismo do filme,tão bonitos,tão complicados de se descrever.A facilidade fica por conta do apego,do roteiro agridoce,do gostinho de quero mais que o filme deixa na gente.Posso dizer pra vocês que se trata de um road-movie,de uma trama familiar,mas que vai muito além disso,aliás eu diria que Nebraska é todo um outro nível de filme sobre famílias e viagens transformadoras,Alexander Payne,o diretor, jogou nele o melhor do seu estilo,assim meio indie,assim meio drama,assim como a vida.

Nebraska é sem dúvida o melhor filme de Payne,com o melhor que ele sabe fazer,porém com uma precisão e uma honestidade que ele nunca tinha alcançado.Partindo de uma sinopse sem grandes novidades,Payne fez mágica pura,refinou o que poderia ser mais do mesmo e fez um filme capaz de agradar a a gregos e troianos.Há tempos,eu não via reações tão uníssonas,numa sala de cinema,parecia tudo sincronizado,na hora de rir todo mundo riu,na hora de lacrimejar,ninguém escapou e todo mundo pareceu muito satisfeito no final.

Eu,das mais felizes,é claro.Adoro filmes que me comovem,e este é daqueles inesquecíveis.Foi tão lindo de ver,a maneira como Payne entrega os personagens é tão palpável,tão crua,a platéia fica ali colada,olho e coração na tela, e as atuações inspiradas são de aplaudir de pé.Bruce Dern,nosso adorável e teimoso Woody,possivelmente,fez seu papel mais marcante,até hoje.Woody e a odisseia do prometido milhão de dólares desenrolam o cenário pra falar de senilidade,famílias disfuncionais e alcoolismo.


O cenário físico escolhido pra história melancólica,também,não poderia ser melhor,o oeste americano solitário e anacrônico,pintado de preto e branco,repleto de personagens tragicômicos e inundado de nostalgia é o lugar perfeito pra viagem de acerto de contas.A fatídica viagem começa quando David,o filho mais novo de Woody,se dispõe a ajudar o pai a buscar um suposto prêmio em outro estado,contra a vontade de sua mãe Kate,interpretada pela maravilhosa June Squibb.

Como todo mundo já sabe,pra cada quilômetro rodado tem um ressentimento e um afeto na pista,incluindo o épico pit stop da cidade de Hawthorne,terra natal e Woody e palco das melhores cenas da família reunida.A cidadezinha é um fantasma só,cheia de velhinhos  e sonhos perdidos,nela conhecemos as origens de Woody e entendemos os rumos que ele traçou na própria vida.


Não posso deixar de ressaltar a cena na velha casa de Woody,quanta delicadeza,quanta força teve nessa sequência, nela Dern mostra a fragilidade do Woody criança presa nos olhos  confusos do Woody senil.A atuação dele é o pilar do filme,confesso que poucas vezes vi um retrato da velhice tão realista,sem maneirismos,sem apelação,cada olhar atordoado e cada tropeço são significativos e enchem o personagem de carisma e ternura,fico feliz que ele tenha conseguido a premiação em Cannes,foi mais que merecido.Nessas cenas da casa,a inversão de papéis é clara e vemos os filhos guiando os pais e tratando-os como as crianças que um dia foram,é o fim,é o começo,é o fechamento de um ciclo,é maior que o as diferenças,maior que as mágoas,é forte é universal.

O microcosmos americano fica pequeno pra esse drama,porque ele é do tamanho do mundo,do tamanho da nossa humanidade,é nesse ponto que a direção de Payne mais embeleza  a história,o filme pega o comum mas foge sempre do óbvio.Em Nebraska,vemos os detalhes,é um filme de sutilezas,que arranca da realidade os seus ângulos mais tristonhos e bonitos,que nos faz lembrar das dualidades do viver e da fragilidade dos sentimentos,é um filme delicado e por isso mesmo feito para os fortes.Portanto,sejam fortes,vejam Nebraska,pelo o que ele é,um filme merecedor das suas 6 indicações ao Oscar e merecedor de muito mais,mas sobretudo vejam Nebraska pelo o que somos,apenas mais do mesmo,apenas os mesmos e não mais.

Quem gostou também pode curtir :













sábado, 16 de novembro de 2013

Como em um tango...




Para entrar no clima:

Discípulo e mestre

Holla guapos!Desculpem o sumiço,tirei mini-férias e só queria saber de  comer,dormir e ver filme é claro!Mas faltou coragem pra escrever sobre tudo que vi,fico devendo os posts pra quando a preguiça e o tempo permitirem,ok?Uma das maravilhas que assisti foi o ótimo Tese sobre um homicídio,mais um argentino pra nos humilhar com a sua qualidade indubitável.Sou muito fã do cinema dos hermanos e Tese só veio comprovar a minha tese,a de que ainda temos muito,muito mesmo,a aprender com os nossos vizinhos.

Mucho sangre e talento

Ricardo Darín,o muso onipresente do cinema argentino protagoniza um romance policial denso,o seu personagem,o renomado professor de direito Roberto Bermudez é hipnotizante e crível ,como tudo que Darín costuma fazer.O desenrolar da trama meio noir começa quando Roberto reencontra Gonzalo,filho de um amigo que não vê há tempos,que se inscreve em um seminário seu e o propõe uma tese interessante sobre  crimes.

Bom alun0


O que vem daí,a princípio,parece mais um daqueles típicos desafios entre o psicopata e o investigador,algo que nos remete aos papos de Clarice e Hannibal,mas para nossa a alegria o roteiro do filme vai além dos clichês bem feitos e nos intriga até o final.É perceptível,ao longo do filme, a familiaridade do estilo de suspense moderno,com algumas referências imediatas  a alguns filmes,como o Silêncio dos Inocentes,por exemplo,a aparição da figura de uma mariposa em meio a uma cena do crime e a toda uma alegoria sobre a morte de inocentes é colocada de maneira muito sutil e interessante na película.

Detalhes tão pequenos...

Hernán Goldfrid,o diretor, se destaca  ao enovelar os personagens de maneira genial,porque ele faz uma coisa dúbia,cheia de nuances,num instante temos o clássico desafio professor  e aluno,ali  temos o jogo de gato e rato do criminoso vaidoso e do investigador desesperado,acolá enxergamos o embate entre a inveja e o orgulho,já em outros, tudo o que temos são as nossas dúvidas.

Decifra-me ou te devoro

O trunfo do filme,talvez,venha desse enredamento,o diretor Hernán Goldfrid arrasta a gente pro tango e conduz o filme com muita maestria.A atmosfera de tensão é lindamente construída,com muito jogo de cena,ótimos ângulos,edição certeira e muito tato ao conduzir  os personagens.

Sob a luz da dúvida

E nessa dança vemos o personagem de Darín se desconstruir,o professor cheio de prestígio e certezas vai se desfazendo ao longo trama,o psicologismo da história tem seu ponto alto aqui.Tese é um noir moderno,só que nele a cortina de  fumaça não vem só de fora,não vem só da provocação do bandido e da sedução da femme fatalle, e tamanho é o fog,que em alguns pontos,chegamos a questionar a mente afiada do professor de direito.Em alguns momentos sua mente é exposta e questionada,sem que possamos ao certo escolher um lado,bom,eu pelo menos não pude.E por causa desse benefício da dúvida Darín e todos os envolvidos no projeto merecem palmas,não tá fácil hoje em dia criar algo novo e excitante pras nossas retinas tão calejadas,não é mesmo?Então fica a dica,pra quem quer algo diferente e excitante,porém com aquele gostinho bom de velho conhecido.Quem se animar a assistir o filme ,peço que volte aqui e comente a sua tese sobre esse noir latino.Por hoje é só chicos e chicas,hasta la vista babies!

Quem curtiu também pode gostar:







domingo, 13 de outubro de 2013

Take your protein pills and put your helmet on


Para entrar no clima :

Check ignition, and may God's love be with you


Antes de qualquer coisa,fiquem tranquilos,aqui não tem spoilers,ok? Os doidos do spoiler já podem respirar e ler normalmente.De nada ,gente. Bom,quem me conhece já sabe,eu jamais usaria uma música de Bowie em vão,jamais a colocaria em um contexto que não estivesse no mesmo nível de maravilhosidade. Acho que posso dizer que o filme de Cuarón me tocou tanto quanto Space Oddity,creio que Gravidade,também, vai me abalar sempre,não importa quantas vezes eu o reveja.Que filme minha gente,que filme!Ainda estou me recuperando da tensão,então desculpem qualquer lapso acho que estou com alguma síndrome pós-filme.

Fui ver o filme cheia de expectativas,ouvi ótimas indicações de amigos e não me decepcionei,amei o filme,mas o achei diferente do que muita gente tinha descrito,encontrei um filme muito mais denso e metafórico do que esperava.No entanto,apesar do que muita gente pode pensar,Gravidade não é um filme difícil ou hermético,mas por apresentar um teor muito humano e subjetivo, vai ser sentido e interpretado de maneira diversa por cada espectador.Portanto,aviso, apesar do cenário espacial ele não é uma aventura estelar,nele,o espaço serve para nos introjetar,nos encapsular e iniciar uma viagem ao interior da alma humana.


For here am I sitting in a tin can
Far above the world

Alfonso Cuarón e seu filho Jonás escreveram um roteiro que beira a perfeição.Cada acontecimento,cada diálogo tem um sentido na trama,nada é desnecessário ,tudo que vemos se encaixa para formar aquela teia de medo e tensão que nos prende desde o começo do filme.A escolha do espaço sideral como pano de fundo para esse drama não poderia ser mais inteligente,a simbologia que ele tomou nas cenas é universal,o silêncio ,a escuridão,a falta de qualquer ponto de segurança nos remete à situação vivida por Ryan Stone e por todo ser humano em algum momento da vida.Stone, a personagem de Sandra Bullock ,expõe na tela o nosso espaço interior, muito mais assustador e poderoso do que o espaço estelar.

Though I'm past 100,000 miles
I'm feeling very still

Ao contrário que a imprensa anda divulgando,o filme é todo de Sandra.O personagem de George é um acessório para o seu desenvolvimento e serve para aliviar um pouco o clima pesado do filme.Sandra segura o filme todo sozinha,mostra, pra quem ainda tinha alguma dúvida, que é uma das grandes da atualidade e alegra os seus fãs de longa data,que nem eu,que já amava a atriz desde os tempos de Velocidade Máxima.

Ela tem uma qualidade rara ,que foi muito útil ao filme,Sandra consegue externar grandes emoções,de uma maneira comedida,suas personagens,geralmente,são mulheres que fogem dos estereótipos femininos,e aqui essa fórmula funcionou muito bem.Stone tem trejeitos calmos,se mostra uma profissional competente e forte,ao longo do filme vemos a desconstrução dessa imagem,acompanhamos Stone nos seus piores momentos,sofremos com a sua dor,a sua solidão é desoladora e o seu drama é comovente.

I'm floating in the most peculiar way
And the stars look very different today

Não quero detalhar sobre o que acontece com Stone,as surpresas das cenas são fundamentais para quem assiste,cada uma delas exibe uma nova faceta da engenheira,construindo a sua superação ,o seu renascimento.Em algumas partes me lembrei de Melancholia,o mesmo uso da figura feminina para ilustrar o paradoxo da força e da fragilidade,a fotografia lindíssima,o azul predominante e a trilha sonora tensa.A lembrança de outro filme ,também,foi forte,o luto parental abordado com delicadeza me recordou o excelente O Quarto do Filho,de Nanni Moretti.

Here am I floating round my tin can
Far above the moon
Planet Earth is blue, and there's nothing I can do....

Além disso, as metáforas embutidas no roteiro conseguem atingir um nível concreto,o que deixa o filme com uma poesia metafísica digna dos grandes clássicos existencialistas,o que na minha opinião é um trunfo difícil de ser alcançado,que Cuarón consegue com muito talento e sensibilidade.O seu texto tem síntese e expressão ,essenciais para tratar de  temas tão abstratos quanto os abordados em Gravidade.Li que ele passou anos escrevendo e produzindo o filme,um trabalho bem arquitetado, que segurou ,somente em uma hora e meia,o que alguns filmes intermináveis não conseguem,Alfonso conseguiu mostrar o que aprendeu com mestres como Bergman,Trier e Kubrick,mostrando estilo e muito tato.

Espero que seu próximo trabalho também venha com a mesma qualidade,atraindo o público e os elogios com a mesma força de Gravidade.Fiquei com vontade de rever o sucesso anterior dele,o Filhos da Esperança,acho que Gravidade me deixou um gosto de quero mais,o tempo curto do filme e adrenalina devem ter contribuído pra isso,além do talento do mexicano é claro.Deixo aqui meu apelo,se você querem ir ao cinema,vão ver Gravidade,ele é um desses filmes que pede uma telona,podem ir ,é satisfação garantida ou seu dinheiro de volta(não me responsabilizo por esta parte...).



Quem gostou também pode curtir:



quinta-feira, 10 de outubro de 2013

Newvelle Vague

Para entrar no clima:


 Well there's nothing to loose,and there's nothing to prove,I'll be dancing with myself

E foi assim que eu saí do cinema,com vontade de saltitar e rodopiar pelos cantos,eis o efeito de Frances Ha em moi.Impossível não sair mais leve depois de assistir  a esse filme tão doce. Já nos primeiros minutos,senti que não ia resistir àquela mistura tão perfeita de Woody Allen e Nouvelle Vague feelings. 

A fotografia preto e branco aliada à trilha sonora eclética com Bowie,Stones,McCartney e Georges Delerue,o maestro oficial da Nouvelle Vague,que musicou pra Goddard e Truffaut,foram demais pra mim. Noah Baumbach , o diretor e roteirista, já tinha minha simpatia, depois de A Lula e a Baleia, e também,  por trabalhar com meu queridinho Wes Anderson, em Steve Zissou e Sr. Raposo.Mas,no final de Frances ele ganhou  um lugar  no meu  vasto coração cinéfilo.

If I looked all over the world,and there's every type of girl,but your empty eyes seem to pass me by
Leave me dancing with myself

Noah fez todas as escolhas certas para o tom do filme,o roteiro despretensioso e a escolha da fofíssima Greta Gerwig para a protagonista foram muito felizes.Greta é de uma naturalidade desconcertante,a personagem desengonçada e gauche poderia ser caricatural e chata nos trejeitos de outra atriz,mas não nos dela. Acho que ela captou bem o estilo meio clown dos primeiros filmes  do Woody e das mocinhas atrapalhadas dos filmes franceses.Frances é real,muito real,ela poderia ser aquela sua amiga estabanada,a sua irmã,a sua vizinha ,alguém que você conhece e tem vontade de levar pra tomar um sorvete.

Frances é a luz do filme,as situações banais ,muitas vezes embaraçosas, soam como pequenos testes pra nossa heroína trapalhona.Os percalços que insistem em atrapalhar os planos da moça acabam virando trampolins da vida,de onde vemos Frances sair um pouco mais madura ,mas com a meiguice resguardada.


So let's sink another drink ,cause it'll give me time to think
If I had the chance,I'd ask the world to dance

A saga de Frances começa uma separação inesperada de sua melhor amiga,que para Frances é parte essencial dela mesma.Após perder a roommate Frances parte em busca de um novo teto e novos amigos e acaba se deparando com vários aprendizados no caminho. A separação da melhor amiga rende ótimas reflexões sobre a amizade feminina,em alguns trechos não pude deixar de lembrar de SATC ,que talvez seja ,até hoje, um dos melhores ao tratar do tema.

Nesse ponto, Frances também é muito certeiro,o foco na mudança da relação entre as amigas nos mostra várias nuances da personalidade de Frances. Essa exposição da personagem, mostrando seus defeitos,dúvidas e angústias gera cenas lindas e nos possibilita uma inegável identificação com ela.  

Numa das cenas que mais me tocou, Frances tenta explicar a uma conhecida seu ideal de amor,com uma explicação tão simples e ao mesmo tempo prolixa,tão verdadeira quanto humana,confesso que nessa cena tive vontade de entrar na tela, apertar as bochechas de Greta Gerwig e dizer:Why so fofa?Não vou  mais detalhar o que se passa,pois o filme é feito de singelezas,de muitos pequenos detalhes,e é a partir desses pequenos momentos que aprendemos  com Frances .

If I had the chance ,I'd ask the world to dance
and I'll be dancing with myself

Outro acerto de Noah foi conseguir reproduzir o lifestyle novaiorquino,os apartamentos descolados,os personagens meio neuróticos , com diálogos rápidos e espirituosos e um toque de ironia.Palmas ,também,para o elenco de apoio,todos afinadíssimos com o clima da película,incluindo nosso já conhecido Adam, de Girls,que deu o ar de sua graça para um personagem parecido com o seu na série da HBO. Outra lindeza do filme são as várias referências cinéfilas dele,grandes lembranças da Nouvelle Vague,através de trocadilhos e cenas  inspiradas,ou vocês acham mesmo que o nome Frances foi escolhido à toa?

With the record selection ,with the mirror reflection
I'm dancing with myself

Pode se dizer ,também,que o filme soe um pouco que nem Girls,ao tentar tecer um retrato charmoso dessa geração meio perdida , confusa e intrigante.Não sei dizer se o retrato é fidedigno ,mas certamente, é muito simpático. Talvez esse seja uma das maiores qualidades do filme,o seu charme.Eu como a boa nostálgica que sou, registro aqui a minha torcida para que mais diretores façam como Noah,busquem no passado novos olhos para o presente,afinal qual conteúdo não fica mais interessante com uma embalagem retrô não é mesmo? 

E ao final do filme ,acho que Frances  nos ensina um dos segredos da vida, que é tentar entrar na dança,acertar os passos e pegar o ritmo,e se não der certo,invente sua própria dança ,crie o seu ritmo,dance a sua coreografia e de algum jeito tudo se arranjará.Afinal,o mestre Woody Allen já escreveu:
"In the end the romantic aspirations of our youth are reduced to, whatever works."

Quem curtiu também pode gostar:




domingo, 6 de outubro de 2013

You wanna live fancy? Live in a big mansion? Party in France? You better work bitch


Para entrar no clima:


See me comin'
You can hear my sound



Começo esse post me explicando e pedindo licença,sou fã da Sofia ,ela é uma das minhas preferidas,portanto, minha opinião é bem influenciada pela minha preferência e talvez eu tenha ficado imune aos tais defeitos do filme ,que ouvi muita gente comentar.

A verdade é eu adorei Bling Ring.Ainda não revi o filme,mas acho que mesmo depois de revê-lo vou continuar adorando.Mas,continuo com Virgens Suicidas e Encontros e Desencontros como meus preferidos da Coppolinha. Bling apesar dos acertos e inovações,não é tão denso quanto Virgens e Desencontros,faltam nele alguns detalhes que deram substância  aos melhores filmes dela.Apesar dessas falhas,Bling é um ótimo filme,expressivo e honesto.


Agora,vamos aos fatos.O filme começa mostrando Marc,inseguro e deslocado na nova escola,  entrando na conversa da sua nova BFF Rebecca.Os dois compartilham os mesmos gostos pelo mundo das celebridades e das grifes,além da vida meio vazia e  das famílias ausentes. Rebecca vê em Marc o parceiro ideal para os seus planos.

Eles começam a roubar pertences em carros abertos e gastar tudo o que conseguem em festas e roupas. Marc se sente feliz com a nova amiga,apesar de não se sentir muito confortável,durante os roubos,ao contrário de Becca,que mostra nenhum vestígio de medo ou consciência moral.Ela apresenta Marc a seu grupo de amigas,Nicki ,Sam e Chloe.O grupo tem como  hobby acompanhar a vida das celebridades,invejam o lifestyle dos astros e sonham com a vida de luxo das celebs.O plano de furtar a casa de Paris Hilton surge em uma conversa entre Marc e Becca,que confirmam na internet o endereço e as viagens de Hilton.

O-M-G!


Logo, o grupo vai à sua própria versão da Disney.A casa de Paris é mostrada com muito humor e exagero,as almofadas com fotos da loira e o closet interminável são deliciosos de se ver.Os ladrões de luxo encontram tudo o que queriam,muita grife pra ostentar e um acesso fácil a esse parque de diversões.As cenas dos roubos e das baladas ,onde eles iam para mostrar aos amigos ,sem a menor cerimônia, os artigos roubados são algumas das mais interessantes do filme.

Sofia se priva de julgar os jovens e os mostra como eles são,fúteis,meio vazios e inseguros.O filme não procura passar lições de moral ou qualquer coisa parecida.A maneira livre com que o comportamento deles é mostrado deixa pra nós o papel de formar uma opinião sobre a conduta e as motivações dos garotos.Nesse ponto,Sofia repete ,sensivelmente, o retrato da juventude e seus problemas,que nem em Virgens,onde as irmãs Lisbon nos são apresentadas sem condenações .

Essa é uma das maiores qualidades da filmografia de Coppola,ela consegue exibir as nuances do mundo dos jovens e do seu deslocamento,com uma distância suficiente para não quebrar a fragilidade inerente ao que é mostrado ali.As conversas ,aparentemente, sem conteúdo,as músicas,as cenas ágeis e coloridas são a melhores tintas para pintar a figura e o background daqueles meninos.


Call me the bubbler,I am the bad bitch

Outro acerto maravilhoso do filme são as escolhas de elenco.Emma Watson  e a novata Katie Chang brilham na tela,as suas personagens são as mais controversas, cheias de ótimas tiradas.Os  trejeitos afetados e ar de futilidade das duas compõem,lindamente,as personagens.Israel Broussard ,também se destaca,fazendo de Marc o ponto de equilíbrio do grupo,ele é o único a ter lampejos de sentimentalismo,o que Israel soube trabalhar muito bem.

I'm a firm believer in karma

O minutos finais do filme,com descoberta dos roubos e a prisão deles são basicamente imagéticos,exceto,pelas cenas de Nicki no julgamento,sua entrevista e a narração de Marc.Essa sequência final é interessantíssima,além de engraçada,vemos a satisfação do grupo com a fama alcançada e as reações deturpadas das famílias ,rendendo ótimas cenas e deixando pra gente a reflexão sobre aquele mundo artificial  e fascinante .

Bling apesar de ser um filme sobre história de adolescentes,é o filme mais adulto de Sofia,há nele um traço irônico e novo,que talvez tenha desagradado os que esperavam um filme mais parecido com os anteriores,que não eram infantis,mas talvez menos incisivos na temática.Pra mim ,só resta esperar o próximo filme da moça,que venha com a delicadeza e a graça de Bling e me faça amar ainda  mais  o bom e velho cinema.

Quem curtiu também pode gostar de:










sexta-feira, 4 de outubro de 2013

Amigos e rivais

James Hunt (Chris Hemsworth) e Niki Lauda(Daniel Bruhl)

        Sabe quando você vai ver um filme cheio de expectativas?E o filme supera todas elas?Pois é,acontece.Nunca fui muito fã de Fórmula 1, também,não entendo muito do assunto,o que não me impediu de ficar tensa durantes as cenas de corrida e de torcer para Niki e James, como se eles fossem meus maiores ídolos.

Esse é o efeito que Rush vai provocar na maioria das pessoas,Ron Howard,o diretor,repete o seu trunfo de Frost/ Nixon ,mostrando os bastidores de uma história já conhecida ,humanizando seus protagonistas ,ao apresentar para o espectador o ser humano e as circunstâncias envolvidas na história. Já nos primeiros minutos do filme, começa a se desenhar o contraste,estrategicamente, montado entre os dois pilotos.
Garanhão,impulsivo,festeiro , too cool for F1

Hunt é apresentado como um playboy simpático,conquistador e nervoso.Acompanhamos seus primeiros prêmios e conhecemos o seu gosto pela VIDA LOKA e pelas mulheres,que no filme, parece combinar ,perfeitamente,com o clima da F1 ,dos anos 70,que era um celeiro de homens impetuosos,que não pensavam duas vezes antes de se arriscarem nos carros explosivos da época.

Ao que me pareceu, a intenção do diretor e do roteirista era tornar o personagem de Hunt o mais carismático e apaixonante possível,para isso, escolheram o deus nórdico(eternamente Thor) Cris  H. para interpretá-lo,não creio que a beleza do ator tenha sido ,meramente, ilustrativa pra composição da figura de Hunt no filme.Vemos Hunt empenhado em ganhar tudo que as corridas podem oferecer,aventura,fama,dinheiro,prêmios e a simpatia da moçoilas ,é claro.


Desajeitado,metódico,fazendo planos para dominar o mundo.

Enquanto isso,Niki(vulgo The rat) é tímido ,calculista e determinado. Niki  aparece construindo seu lugar nas pistas à custa de muita auto-confiança e disciplina.Seu début no circuito atrai a curiosidade e a antipatia de várias pessoas,que não curtem seu jeito sincero e sem traquejo social,o que rende boas risadas,pois sua falta de tato é natural,precisamente,construída pela atuação maravilhosa de Daniel Bruhl,que caprichou no sotaque,encarou maquiagem pesada,dentadura postiça e encarnou um Niki muito real e cativante ,apesar da má impressão inicial,causada,especialmente,pela exibição do seu antípoda. 

Daniel soube pensar o personagem nos mínimos detalhes,o suficiente para convencer o público a entender as motivações de Niki e os seus atos,nos mostrando um chato adorável e cativante,apesar dos seus defeitos e idiossincrasias.



Depois dessa mini apresentação dos rapazes,vem o que todo mundo quer ver: muita rivalidade,corridas disputadas e cenas eletrizantes nos carros. Niki  dispara na frente nas primeiras corridas,para desespero de Hunt,que apesar de muita entrega,não consegue alcançar o rival.Não posso deixar de ressaltar a genialidade da edição nas cenas de corrida.

Ron acertou  em cheio ao mostrar as câmeras dentro dos carros e reproduzir o estilo de exibição das corridas na TV,criando todo o clima daquela época ,os descolados anos 70,em que os pilotos eram quase uns kamikazes,a segurança era mínima,e o talento e a coragem dos pilotos era crucial para a vitória. 

As cenas onde Niki e Hunt se encontram são divertidíssimas,os dois chegam a lembrar dois garotos brigando na escola,a disputa eterna entre o nerd e o descolado na F1 é muita mais interessante do que no colegial.Vemos ali dois homens talentosos,envolvidos  pelo orgulho,dispostos a tudo,não só para vencer,mas se provar melhor que o outro.

A partir  de um certo ponto,as vidas pessoais de Niki e Hunt começam a abalar seus termômetros de medo.Levando Niki a questionar as condições para a realização do circuito da Alemanha,Hunt mobiliza a opinião dos outros pilotos, que insistem em correr,mesmo com o péssimo clima. Decisão  essa,que quase custou a vida de Niki,que sofre um  grave acidente durante a prova,levando-0 a penar durante  dias no hospital,fazendo tratamentos dolorosos,torcendo para voltar logo ao grind e impedir Hunt de ganhar o campeonato.

A volta de Niki  ao grind nos mostra a sua mudança,física e comportamental,mostrada na sua escolha em largar a prova na metade,no Japão. Pauso aqui, para comentar a qualidade técnica das sequências na chuva,o uso da câmera lenta foi decisivo para dar dramaticidade e beleza às cenas . 

Enquanto isso, Hunt continua firme na sua obsessão em superar o Rato,arriscando a vida ao correr sob chuva torrencial no circuito do Japão,mas para sorte dele,sua loucura foi recompensada e graças à  essa prova ele ganha pontos  suficientes para ultrapassar Niki no pódio.Depois daí vemos Hunt satisfeito com a vitória ,aproveitando o prêmio e curtindo a vida.

É assim que Niki o reencontra fora das pistas,e tenta desafiá-lo a uma revanche,que Hunt descarta.Esse diálogo dos dois é talvez o mais interessante do filme,nele,Niki confessa a Hunt que ver suas vitórias na TV,enquanto estava internado,foi o combustível para a sua recuperação rápida,deixando entrever a competição entre eles como uma força motivadora positiva,o que também é confirmado por Hunt,que expressa admiração pelo colega e nos faz refletir sobre a competição,os seus valores e ensinamentos.

Além disso,também,fica evidente a complexidade das relações humanas,onde nem tudo parece o que é,e nem tudo que aparece é verdadeiro.Saí do filme querendo saber mais sobre aqueles homens,surpresa com suas qualidades e defeitos,tão humanamente, mostrados no filme.Fica  a dica para quem quiser prender o fôlego e torcer por pessoas tão reais quanto eu ou você.



Quem curtiu também pode gostar :



segunda-feira, 30 de setembro de 2013

Vive la France!

Os brutos também amam
    Ah os franceses... sempre sabem o que fazem!Foi isso que pensei ao sair no final de Uma Primavera com Minha Mãe (Quelques heures de printemps).Fui ver o filme, como quase sempre,sem saber nada sobre ele,fui seguindo a dica do meu amigo Rômulo(valeu Romim!) e saí do cinema arrasada,no bom sentido.Logo nas primeiras cena já deu pra sentir o climão do filme,drama puro,minha gente!Mas não é qualquer drama,é um drama francês,com a crueza e beleza  típica do estilo dos comedores de croissant.Se fosse um filme americano,veríamos a linda história da reconciliação de filho e mãe ,regado a muitas lágrimas e trilha sonora marcante,exatamente o que não acontece aqui.De início, conhecemos Alain,caminhoneiro recém saído da prisão e Yvette, sua mãe doente e durona.A relação entre os dois é tensa,cheia de rancor e aspereza,como é mostrado pela atuação certeira dos atores.Na maioria das cenas,acompanhamos a dinâmica do cotidiano dos dois,testemunhando os silêncios,os olhares e as palavras duras, entre eles,numa crescente de irritação ,que culmina numa cena fortíssima de uma briga,numa das melhores cenas do filme. E se vocês querem saber,Vincent Lindon e Hélène Vincent estão muito afinados e fazem qualquer um se tremer com a explosão em cena.Pra adoçar um pouco as cenas e servir de elo entre os dois, temos a linda cachorra Calie e o vizinho,o velhinho fofo, senhor Lalouette,os dois aparecem como pontes ,tentando diminuir o distanciamento entre mãe e filho,que parece irreversível,até que chegue o infalível,o acessório preferido dos roteiros dramáticos:o câncer.



    Quando Yvette decide encarar a morte com uma força e uma dignidade comoventes,vemos Alain ,silenciosamente, apoiar a mãe e dar-se conta da inutilidade das desavenças e rancores, diante do poder da morte.A partir desse ponto,começa uma narrativa enxuta e pungente sobre a eutanásia .Yvette decide como vai morrer e  sua escolha  é mostrada  com imparcialidade,deixando pra gente a tarefa de julgar ou não,o direito de cada um sobre a própria vida.A sequência final, que mostra Yvette indo para a Suiça,onde vai realizar a eutanásia,é de uma delicadeza ímpar,Stéphane Brizé mostra a elegância de sua direção e  põe na tela a resignação e a angústia de Yvette,em detalhes cruciais que tiveram um efeito super lacrimogênio em mim.Se você está se perguntando se há reconciliação entre essas duas almas atormentadas,fique feliz,há uma breve abertura entre eles,que permite dar vazão ao amor escondido e machucado dos dois e às lágrimas que de quem ainda estava tentando manter a dignidade no cinema.O final do filme me fez lembrar do mestre Antonioni e de sua perfeita trilogia da incomunicabilidade,que da mesma maneira que Uma primavera,mostra o quanto nós podemos nos isolar, no mundo das incompreensões e das coisas não ditas,que sempre nos separam da felicidade do contato com outro ser humano.Uma primavera é um filme para os fortes,para os que entram na sala e não tem medo de sentir,portanto,se você não tá no mood pra choque de realidade e sentimentalismo,não veja o filme,mas se você quiser sofrer um pouco taí o seu remédio.Fica a dica então, só mais um pitaco,quem gostou desse também pode gostar de :